quinta-feira, outubro 28, 2004

As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

3 comentários:

Carlos Galveias disse...

Beeeeemmmmmm... tás com cara de "tertúlia-necessitado"... é bom voltar a ver-te por aqui... em força, claro!

Grd Abraço

F. Marinho disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Penne disse...

Amei esse poema do Drummond, com uma temtica muito explorada, mas quase ninguém escreve tão bem como Drummond...