segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Poema de um dia cinzento

Os céus desabaram,
soltando placas graníticas,

O ar irrespirável
rugia trovões

faiscado
por lanças demoníacas
que destruíam as emoções.

As gaivotas correm em cardume
directas à tempestade,

Gotas de chuva sobem ao céu
construindo quadrículas na calçada.

Borboletas nadam em queixume
fugindo à realidade.

A paixão flutua inerte
no instante da tua chegada.

Sinto-me cinzento,
cinzento como o ar que me rodeia
e a luz que não me deixa ver.

Sinto-me triste,
triste como o mar sem a areia
e a lua que teima em se esconder.

Sinto-me perdido,
perdido numa teia
que a vida teimou em tecer.

F.Marinho

2 comentários:

Zuka disse...

Muito oportuno este lindo texto!
Custou-me tanto ver aquela lavagem de roupa suja na praça pública...
Um espectáculo execrável!
Haja saúde!

Ramiro Pinto disse...

Cinzento está e há-de ficar mais tudo e todos a luz cada vez é mais escassa, um bem que se pensava inesgostável...