sexta-feira, julho 30, 2004

TRISTE PAIS O NOSSO

…..
Numa qualquer televisão generalista nacional diz o jornalista no local para o pivot em estúdio…


Não te sei responder porque tudo isto está muito confuso mas posso perguntar a uma das pessoas que estão a tentar apagar o incêndio.

 - Boa tarde, estamos em directo para o Parvo Canal, como se sente neste momento?
 - Bem obrigado, já morreram todas as cabritas quê tinha, da horta nem falar, mas não há males que não venham por bem…
 - Refere-se à onda de solidariedade que se denota em redor?
 - Olhe quê-cá-nã-sei falar estrangeiro e nã vale a pena fazer-me perguntas sobre política quisso é lá pós gajos de Lisboa.
 - Quer dizer que não culpabiliza o governo pelo drama que estamos a testemunhar.
 - Eu pra já não sou testemunha de nada, nem vi o acidente, e nã me venha falar do Durão quê cá pra mim fez muito bem em ter ido lá prás europas.
 - E sobre esta situação, quer fazer mais algum comentário?
 - Enquanto falávamos também já me ardeu a casita mas pelo menos apareci na televisão.
 - E "prontos" foi a reportagem possível daqui deste "inferno na terra plantado", passo a palavra ao estúdio e vou beber uma jeca quisto de andar por aqui cansa.

O benfica contrata novo reforço….



Triste pais...
 
...O meu

quarta-feira, julho 28, 2004

"Silly Season"

Carissimos,
Como o Carlos adiantou em 1ª mão, lá vou eu apanhar uns escaldões (+ vírus do Nilo), para o Algarve!
E como sempre tenho 5 certezas: Venho de lá mais cansado do que fui, com um escaldão, com uma certa pronúncia inglesa, sem fígado e sem dinheiro!
Fiquei muito contente com a ideia da tertúlia e até gostava de sugerir um sitio simbólico para a primeira: "Aquela livraria no Bairro Alto", é uma ideia!
Mas estou com muitas mais, para já acho que o importante é mesmo arrancar com a primeira! Setembro é excelente!
Prometo que entre um escaldão e uma bifa, vou-me esforçar para me lembrar de mais temas e convidados para as tertúlias.
Francisco e Carlos podem contar com o meu total apoio!
Aproveito então para desejar umas boas férias a todos,
e um até breve
Aquele abraço
Luís Zúquete
PS- Espero que gostem das fotos: Carlos acabou-se o teu monopólio gráfico!!!

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Budapeste by Zuka Posted by Hello

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terça-feira, julho 27, 2004

Férias... mais um que vai estar fora uns dias...



Mais uma do arquivo... boas férias Zuca!!
 

Reflexão sobre o tema proposto para a primeira tertúlia da comunidade BLOG@UNI, O Fenómeno Bloguista e a Censura…

O tema proposto é muito ambicioso, mais, penso até que tem alguma história de bastidores que não foi convenientemente publicitada… apesar de esta ser uma grei de reputados comunicadores.

Na verdade trata-se de um tema aliciante, penso no entanto que a sua segunda parte – a questão da censura – acabará por merecer uma discussão mais fervorosa… veremos…

O fenómeno da censura sempre me fascinou… mas afinal o que é a censura?

 
Censura

Substantivo feminino

 
1. Condenação; crítica; reprovação social;

2. Exame crítico de obras, espectáculos ou publicações segundo critérios morais ou políticos e exercício do poder de autorizar ou não a sua exposição ou publicação;

3. Repreensão; admoestação;

4. PSICOLOGIA (psicanálise): recalcamento no inconsciente de elementos da vida psíquica considerados inaceitáveis pela sociedade;

5. RELIGIÃO: pena eclesiástica; censura teológica, juízo negativo pronunciado pela Igreja acerca de um ponto de doutrina teológica;

6. Tribunal encarregado de censurar;

7. POLÍTICA: moção de censura sanção dirigida à política de um governo e apresentada a uma assembleia para votação;

(Do lat. censúra-, «id.»)
 

Estão a ver? É por este motivo que a censura tanto fascínio exerce sobre a minha pobre existência.

Não, não está relacionada com política neste momento… apesar de hoje ter sido o dia das moções de rejeição… e das grandes opções politicas nacionais… (meu Deus)…

Vou tentar explicar-me melhor…

Começando pelo existencialismo, de que Satre foi um dos ilustres representantes, em que é advogado que a vida não é mais do que as somas das lutas do indivíduo com a sociedade. Como indivíduos somos forçados a tomar decisões, geralmente são decisões erradas, i. e., são prejudiciais para o próprio decisor. Para muitos pensadores desta corrente filosófica, a liberdade de escolha é sinónimo de infortúnio.

É a partir desta premissa que justificam a necessidade de existência de regras sociais, como uma tentativa de limitação de escolhas próprias. Por outras palavras, quanto mais estruturada e organizada a sociedade, mais funcional ela se torna. O indivíduo abdica do seu maior bem, a sua individualidade.

Não será necessário explicar muito mais para rapidamente concluirmos que esta forma de pensar apenas poderá tender para o desabrochar de uma sociedade autoritária… não admira que todos estes pensadores/filósofos foram partidários de regimes totalitaristas, como Satre em relação a Hitler e à União Soviética…

E agora – para quem está a ter a imensa paciência de ler até aqui – estou a chegar aquilo que pretendo defender…

A nossa sociedade está a atravessar uma crise de existencialismo… assiste-se a uma grande preocupação – muito hipócrita – de adopção de um comportamento socialmente correcto, ou, se preferirem, politicamente correcto.

Não sei se fizeram este exercício: tentar discutir a recente – actual – realidade política em Portugal. Na verdade assistimos a um episódio, no mínimo, de características feudais. A transição de poder entre os “homens bons”, no nosso caso foi mais entre os "homens hábeis".
O que eu me apercebi foi a resignação, a dúvida e uma grande indefinição. O grande número de pessoas prefere aguardar para tentar medir a temperatura da maioria, da opinião pública, como agora se diz. É tão fácil ter a mesma opinião da maioria das pessoas do meio social em que nos movimentamos. Aqui regressamos ao existencialismo: é preferível não fazer a escolha e aguardar as instruções de uma maioria.

Sendo assim, é perfeitamente aceite por esta sociedade que haja censura. Talvez não aquela dos antigos censores da PIDE de lápis vermelho, mas uma censura mais fácil de suportar… como a censura do direito a uma informação isenta e objectiva. Se nós não vamos decidir que motivo poderia justificar o acesso à informação. Nós não necessitamos de informação, apenas de entretenimento… para que o tempo passe de uma forma suportável…

Resumindo a censura existe e existe porque foi uma opção nossa… e como uma opção/decisão nossa é sempre uma opção/decisão errada… bem-haja o Prozac… e… fico por aqui – um pouco de auto-censura também é simpático e ajuda-me a enquadrar…

Apenas para terminar: neste espaço não deverá haver censura… nenhum de nós deverá ter receio de se masturbar intelectualmente, correndo o risco de ser censurado pelos restantes… penso que foi esse um dos fundamentos que esteve presente na génese deste espaço… MAIS: o blogues estam a revelar-se como um dos maiores bastiões anti-censura, será bom que assim o seja.

Meus amigos… sejam espíritos livres e… have fun

(Fico à espera para saber quem é que me vai censurar…)

segunda-feira, julho 26, 2004

FÉRIAS

Não, ainda não vou de férias. Mas que já precisava delas, aí isso já.

Alguns dos meus amigos estão a despedir-se para férias (ou a tentar criar climas de inveja) e, resultado da época, este pasquim começa a ficar sem escribas, mas estranhamente continua a ter uma afluência de leitores/voyeurs que já se transformou em tradição.
(sim, é contigo que estou a falar)

Neste momento grassam as saudades, dos tempos de convívios diários, que só são mitigadas por breves e escassos encontros com alguns de vós.

Foi num desses encontros que ouvi múltiplas queixas de censura, recheadas de impropérios, que "aparentemente" ocorreram neste Blog. Foi neste lamento que descortinei a minha proposta para primeiro debate/tertúlia a realizar em Setembro próximo, no local que um de vós já me propôs (falta propor aos restantes, vá lá rapaz, coragem - tu sabes que eu sei, que tu sabes…arre).

Assim sendo proponho para análise o seguinte tema:

O Fenómeno Bloguista e a Censura - a realizar no dia 25/09/2004 (sábado).

Nessa altura já não há relatórios para fazer (chega de desculpas, ou pelo menos decorem-nas para não as repetirem).

Esperam-se propostas ou reclamações, tanto faz, desde que as façam.

quinta-feira, julho 22, 2004

terça-feira, julho 20, 2004

COMMUNICARE

Imaginem que existe um grupo de pessoas que se reúne de seis em seis meses para um tertúlia sobre comunicação.

Imaginem que esse mesmo grupo tem, para essas reuniões, um conjunto de regras simples:

 - Cada tertúlia é da responsabilidade do "cientista da comunicação" nomeado/sorteado para esse efeito;
 - Os temas a debater devem ser previamente conhecidos dos intervenientes;
 - Todos os cientistas se comprometem a estudar o tema proposto, garantindo assim a proficuidade da tertúlia;
 - A cada um dos cientistas da comunicação é permitido levar convidados, garantindo a sua pertinência para o debate;
 - São aceites pelo "Communicare" todos os temas que versem sobre as ciências da comunicação;

Imaginem que a primeira tertúlia ocorrerá em meados de Setembro.

Imaginem um primeiro tema.

Imaginem que se aceitam inscrições.

Imaginem que se aceitam propostas.

Imaginem

segunda-feira, julho 19, 2004

Alguém tem coragem?

Autónoma abre as inscrições para o II Mestrado em Ciências da Comunicação pretendendo desta forma proporcionar formação avançada e de carácter marcadamente interdisciplinar com áreas de conhecimento relacionadas com as Ciências da Comunicação, assim como, a aquisição de capacidades e competências técnicas.
Constituindo-se num instrumento de valorização cientifica, profissional e de actualização para licenciados.

Direcção Cientifica: Professor Doutor Antonio Sanchéz-Bravo

Horário Pós-Laboral: 2ª, 3ª e 4ª feira das 19h às 22h.
Carga horária de cada disciplina: 45h em aulas de 3h/semana.
Carga horária do Mestrado: 270h lectivas em três dias/semana.

1º semestre

Prof.º Doutor Luís Moita - Mundo Contemporâneo
Prof.ª Doutora Isabel Marcos - Semióticas Aplicadas
Prof.º Doutor Bernardo Nosti e Outros- Linguagens Comunicacionais Contemporâneas

2º semestre

Prof.º Doutor João Maria Mendes - Seminário de Comunicação política
Prof.º Doutor Luís Carmelo - Seminário de Cultura e Comunicação
Prof.º Doutor José A. dos S. Alves - Espaço Público e Modernidade

3º semestre:

Redacção e defesa pública da Dissertação de Mestrado.
Redacção da Dissertação de Mestrado sob a orientação de um dos docentes.
Defesa pública da Dissertação de Mestrado perante Júri constituído por: Orientador, Arguente exterior, Doutor docente no Curso de Ciências da Comunicação da U.A.L. (que preside).

Acesso ao Mestrado

A inscrição no Mestrado é alargada de Acordo com a Declaração de Bolonha a todas as licenciaturas que tenham obtido esse grau com média final igual ou superior a 14 valores.

Início do Mestrado: Outubro de 2004

*Preços especiais para antigos alunos, professores da UAL e sócios do Sindicato dos Jornalistas.

Informações e Inscrições:

Universidade Autónoma de Lisboa
N.º Verde Grátis 800 291 291
Rua de Santa Marta, 56 - 1169-023 LISBOA
Tel.: 21 317 76 00 Fax: 21 353 37 02
secgeral@universidade-autonoma.pt

Ou ainda:

Departamento de Ciências da Comunicação
Dr.ª Ana Nunes Pedro
Tel.: 21 392 92 69 / Fax: 21 392 92 66
Eu não sei se tinha...
Abraço a todos,
Luís Zúquete

sábado, julho 17, 2004

Ainda é verdade…

Ainda é verdade… existem mulheres extraordinárias… eu sou o homem das paixões… é verdade, tenho a tendência de me apaixonar com grande facilidade… o que posso fazer… tenho a mania que sou um espírito livre, mas… muito infelizmente… já não existem muitos espíritos livres…
 
Hoje fui cortar o cabelo… que posso dizer? Estava a ficar um pouco grande… para o selvagem… todos sabem como é…
 
Como tinha algum dinheiro no bolso, decidi ir ao barbeiro… sim, barbeiro, não fui a um cabeleireiro… não gosto da música dos YMCA…
 
Gosto de lá ir… é sossegado… mesmo calmo… “Boa tarde senhor Galveias…”… já algum dos estimados colegas falou assim para mim??? Pois… é por isso que lá gosto de ir… um ambiente masculino… muito macho, apesar do “barbeiro” ser um cabeleireiro…
 
O meu problema é sempre a conversa inicial… “Então está tudo bem?”… “Como é que tem passado?”… “Está na altura das férias… não é verdade?”…
 
Bem… toda a conversa da treta… sem ofensa… eu até gosto muito do António Feio e do… outro… esta porra da idade… como é? Como é que ele se chama? Sim, sim… o tipo do anúncio do Office Center… ok… não me lembro… mas para continuar, vamos chamar ao meu amigo: José Pedro Santana Lopes… o nome assim fica também cómico…
 
Bom, estava a contar a minha história… o tal cabeleireiro… apenas sei que não é gay porque é do Sporting… caso contrário… bem, que larilas… pergunta-me se está tudo no sitio… eu apalpo-me… “Sim, parece que sim…”… “Então o que veio cá fazer?”… essa é uma pergunta complicada… não tinha ligado à minha mãe… corte curto? Apenas as pontas? Que tal só as patilhas? Uma permanente…?
 
Foi um stress (como eu compreendo tão bem o nosso Presidente da Bananalândia…)… por fim enchi-me de coragem – sim, o meu adversário era apenas um cabeleireiro – “Bom, vou pensar… pode primeiro passar o pente 2 a este puto chato que acabou de chegar…” e assim foi… um garoto – naquela idade em que não se é ninguém (tipo 35/38 anos)… passou à minha frente…
 
Tentei calcular o tempo… lavar cabelo… cortar… secar… lavar… gel… ok, 15 minutos…
 
Para descontrair agarrei em algo para ler… a escolha não era muita… DN (+DNA), A Bola e aquela revista cujo nome eu não sei… mas tem sempre uma moça com ar de doméstica na capa… começa por M e tem um X algures… não, também não é a Máxima… talvez Maxim… pois, não sei… mas a miúda deste mês nem é nada de especial… conheço muitas miúdas se tirassem os óculos… bom… esta não é nada de especial, talvez será melhor comprar a edição de Agosto…
 
A minha escolha – tinha de ser – foi o DN… melhor o suplemento, o DNA…
 
A edição é dedicada a uma grande mulher… a Maria de Lourdes… não, não, não é a Modesto, mas sim a Pintasilgo…
 
A foto de capa é boa… transmite de a ideia de uma mulher de convicções… que para variar até é simpático… (ATENÇÃO: Convicções esclarecidas… não apenas convicções…)
 
Começo a esfolhar a revista… a pensar ainda no corte de cabelo…
 
O que vou dizer… máquina 0… só as pontas…
 
O meu filho tem mais sorte… no barbeiro dele tem a Playstation 2… ele começa a jogar… no fim, olha para o espelho… está sempre bem…
 
Mas continuando o meu dilema…
 
Por sorte… logo na página quatro… surge a minha salvação… um artigo de opinião de Pedro Rolo Duarte… (que eu detesto…)… ele começa assim (citando o grande Joe E. Lewis): “Comecei uma dieta rigorosa: cortei nas bebidas e comidas pesadas, e em catorze dias perdi duas semanas”…
 
Levantei-me e disse ao António… o tal barbeiro/cabeleireiro… que escolhesse… pois: “A partir de agora, é igual… Pode ser Vitorino e sair Sócrates, ou vice-versa. Posso votar em Santana e sair-me Jardim… Posso votar só na palavra «Portas» - e o Presidente que decida se é o Paulo ou o Miguel. Ou até Helena Sacadura Cabral. A política já tinha batido no fundo… faltava alguém que lhe atirasse terra acima”…
 
O António mandou-me embora… que voltasse depois do congresso, lá para meados de Setembro… agora não… estava muito ocupado…
 
Tou lindo… o cabelo está enorme… mas estou mais descansado… o meu barbeiro/cabeleireiro está a ponderar o meu futuro… que bom… eu não tenho de escolher… ainda vos vou aparecer de cabelo verde… 
  
..:: have fun:..:carlos Galveias::..

segunda-feira, julho 12, 2004

PREMONIÇÃO

Já Camões então escrevia...

"(...) Cá, onde o mal se afina e o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
Cá, onde a errada e cega monarquia
Cuida que um nome vão a Deus engana (...);"

sábado, julho 10, 2004

Por falar em fotografias... onde é que o pessoal anda?



Sim!! As meninas também... onde andam?

Só te falta mais um bocadinho...



Já alguém tinha feito a previsão… faltou um Danoninho (“Só te falta um bocadinho”) ao mais alto magistrado da Nação… afinal não passa mesmo de um Notário do Governo… da Direita… será que com a idade ele ande um pouco confuso… identidade dupla? "Dr. Jackle" und "Mr. Hyde"?

Afinal quem tem medo? E quem tem medo não compra um cão, não é isso que a voz do povo diz?

Querem saber mais sobre ele???

Confesso que depois de ler esta entrevista me sinto muito melhor... até fui à procura da bandeira nacional, já estava arrumada à espera de dias que lhe fossem dignos... coloquei-a a meia haste...

fútil
adjectivo 2 géneros
1. que tem pouco ou nenhum valor; insignificante; vão;
2. que dá muita importância a coisa inúteis, superficiais ou sem valor; leviano; frívolo; pouco profundo;
(Do lat. futìle-, «id.»)

ignóbil
adjectivo 2 géneros
desprovido de nobreza; que mostra baixeza moral; vil; desprezível; reles;
(Do lat. ignobìle-, «não nobre»)

embuste
substantivo masculino
mentira artificiosa; ardil; patranha; logro;
(Deriv. regr. de embusteiro)

falso
adjectivo
1. não verdadeiro;
2. mentiroso;
3. fingido; simulado;
4. desleal; traidor;
5. falsificado;
6. suposto; aparente;
7. que não assenta em bases sólidas;
substantivo masculino
1. indivíduo traiçoeiro;
2. aquilo que não é verdadeiro;
3. local oculto em edifício ou móvel, geralmente usado para guardar algo;
advérbio
Com falsidade;
bolso falso bolso feito no forro dos casacos;
em falso em vão;
(Do lat. falsu-, «id.»)

bobo [o ]
substantivo masculino
1. HISTÓRIA indivíduo, geralmente defeituoso e ridículo, que divertia os príncipes e os nobres com ditos chocarreiros, truanices e esgares;
2. figurado pessoa que pretende divertir os outros com ditos tolos e momices; bufão; truão;
adjectivo
1. parvo; estúpido;
2. Brasil pasmado;
(Do lat. balbu-, «gago», pelo cast. bobo, «tolo»)

inconsequente
adjectivo 2 géneros
1. que não é consequente;
2. que não revela sequência lógica; incoerente; contraditório;
3. irreflectido; imponderado;
4. que não tem consequências;
(Do lat. inconsequente-, «id.»)

desprezível
adjectivo 2 géneros
que merece desprezo; vil; miserável;
(De desprezar+-í-+-vel)

sórdido
adjectivo
1. sujo; imundo;
2. repugnante;
3. vil; torpe; baixo;
4. mesquinho;
(Do lat. sordìdu-, «id.»)

Estas são algumas das palavras que resultaram de um brainstrom olhando para esta carinha laroca...

Pedro Santana Lopes


O pai sempre lhe chamou Fernão Capelo Gaivota. Porque voa sozinho e não conhece o seu bando. Acutilante na política, Pedro Santana Lopes está sempre pronto para voar mais alto. Com a Máxima, planou sobre temas mais privados.

MÁXIMA, por Leonor Xavier

A travessia da Baixa de Lisboa até à Praça do Município é o deslumbramento da cidade der-ramada até ao rio. E a chegada aos Paços do Concelho, assento da Câmara Municipal, é a austeridade da instituição, com todos os sinais próprios de grandeza. A envergadura imensa das abóbadas, as portas, as janelas, os espelhos e ta-lhas douradas, o desenho da escadaria, as passadeiras e tapetes, o enquadramento dos móveis e assentos, sabiamente ordenados e oferecidos no Salão Nobre, para a espera de quem venha para ser recebido pelo presidente em audiência. Privada, neste caso.

Como organiza o seu tempo?
Os meus dias são mais compridos do que o normal. De manhã entro na Câmara às 10, 10 e meia, saio 12 horas depois. Muitas vezes janto à meia-noite. Ainda hoje saí de uma reunião na Câmara às nove e meia, tinha um jantar sentado, a que cheguei tarde. É tudo assim. A Câmara absorve nove décimos do meu tempo. Também há datas comemorativas, homenagens, sessões solenes. É difícil ser presidente da Câmara, as pessoas estão sempre a falar-me da Câmara, muitas vezes é a vida delas que está em causa. Adorava poder sair, estar descansado. Quando tenho um sábado livre, estou todo o dia quase inanimado, a olhar pela janela, a ouvir música, a esticar as pernas. É um bem raro não ter nada na agenda. O tempo interior é o que me faz mais falta.

E a sua vida privada?
Apesar desta pressão, tenho, de alguma forma, uma vida própria. Os meus filhos passam comigo semana sim, semana não. Os três mais novos – o de 14 anos e os gémeos de 11 – vêm sempre juntos, estão ao mesmo tempo. Nesses dias tomamos o pequeno-almoço, e aos fins-de-semana, temos o almoço de domingo. Muitas vezes também janto com eles ao sábado. Todos sabem que é assim, semana sim, semana não. Pelo menos, estamos juntos, em família.

E enquanto viveu na Figueira da Foz, como presidente da Câmara?
Foram quatro anos duros.

Como conseguiu chegar a este equilíbrio?
Tenho sorte, tudo se entende bem, até as mães se entendem bem entre si. Os irmãos mais velhos, de 23 e 20 anos, já ajudam a tomar conta dos mais novos, a levá-los e a trazê-los de festas aos fins-de-semana. Nos estudos, estão bem, graças a Deus. Uns melhor que os outros, mas vão passando. O grande mérito é ter cinco filhos muito unidos, como se vivessem sempre juntos. Os dois mais velhos, de mães diferentes, sempre cresceram um com o outro. É muito bonito vê-los os dois, saber que quase todos os dias combinam coisas, a ligação que têm é extraordinária. Se um deles tem piores notas, o outro explica, justifica-o. Quando todos se encontram, os mais novos saltam para o colo dos mais velhos. Somos uma família cigana.

E uma família grande?
O meu pai tem 13 netos, a mais nova chama-se Maria do Mar. Adoro esse nome. A minha irmã mais nova teve-a há um ano.

Foi influenciado por essa matriz?
A matriz da família era o matriarcado. O pai tem desempenhado o papel de chefe de família, sempre falou pouco mas bem. A mãe era a secretária-geral da família. No Natal, sentimos muito a falta dela. Passámos em casa do meu segundo irmão. Ele é como a mãe, gosta de receber e organizar.

A família é o espaço de liberdade?
Cada vez mais. Mesmo com as pessoas com quem trabalho, estabeleço essa relação. Quando me zango, digo-lhes que só nos zangamos com as pessoas de quem gostamos.

Sem correr o risco de magoá-las?
Quando as pessoas não respeitam aquilo que os outros sentem, falta-lhes porem-se no lugar do outro. Esse é um exercício que faço há muito tempo. O meu pai exigia-nos que o fizéssemos, dizia que é bom, para sabermos compreender a diferença.

A sua experiência como secretário de Estado da Cultura foi especial?
A Cultura deu-me muito. Depois daquele tempo, passei a sentir que não há no Governo nenhuma pasta mais bonita, por tudo, quase não é preciso explicar porquê. Pelo que se vê e a que se tem acesso, pelas pessoas que se conhece. No Teatro La Fenice, estive com Jorge Semprun, com Jacques Lang. Tive o privilégio de conhecer Maria Helena Vieira da Silva, de tomar chá com ela em Paris. Quando foi o enterro, pensei que vivia à espera de ir ter com o Arpad [Szenes]. Eles viveram a paz que o amor dá, que raramente dá. Ainda agora recebi de Agustina [Bessa-Luís] o livro Sebastião José, com uma dedicatória em que ela me diz, a propósito de tudo o que perdura, que tem de ter amor e alguma dimensão trágica.

Além da Agustina, que gosta muito de si, há alguém que admire, de quem queira falar?
Sim, há uma pessoa, o padre Armindo Garcia, prior de Santo António do Estoril, que esteve no Seminário de Caparide e que é um amigo e um confidente, meu confessor de sempre. A sua convicção de fé é impressionante, é uma fé quase absoluta, que ele vive com uma tranquilidade imensa. Sou um homem de fé, mas não tenho essa serenidade. Para mim, a fé tem de ter algo de racional. A dele é uma convicção na alma, a minha é assente na razão. Sobre a Agustina, é uma pessoa como eu não sei dizer. É uma surpresa permanente. Como nas caixas chinesas, em que há sempre mais uma, a Agustina tem sempre algo a dizer que surpreende. Fomos à China numa visita oficial, as coisas que disse em Chian foram engraçadíssimas. “Tenho de ir comprar um presente, mas ainda não encontrei nada de que não goste” – o presente era para alguém de quem ela não gostava. Entrámos num carro, estava muito calor, perguntou se o carro não tinha ar condicionado. Não tinha. “Deve ser a única coisa não condicionada na China”, disse logo.

Sendo divorciado, em alguma circunstância sofre por isso?
Não é fácil para uma pessoa divorciada pertencer à Igreja Católica. Sou católico de formação, respeito a Igreja e penso que os assuntos de família não se discutem em público, por isso nunca a critiquei pelas suas posições em relação aos divorciados. Mas confesso que nos sentimos proscritos. Como se pode condenar alguém por amar ou deixar de amar? A mensagem de Cristo é o amor, o amor é a coisa mais bonita do mundo.

A nossa sociedade é hipócrita?
Não gosto de falar das sociedades como um todo. Apesar de tudo, as pessoas são todas diferentes umas das outras. O facto de exercer estas funções tem-me feito descobrir algumas características da natureza humana. A sinceridade é um bem escasso e uma virtude rara. Habituei-me a ler nos olhos. E quando vejo que a expressão de uma boca coincide com a dos olhos, fico bem.


Costuma aceitar os convites para jantares, festas?
Cada vez mais pergunto quem vai.

Gosta do lado prazeroso da vida.
Temos direito à alegria, a lutar por ser felizes. Nunca respondi que sou feliz porque a felicidade é um bem que nos foge das mãos. O bem maior é a serenidade. Claro que, se pudermos ter paz, esse é um bem maior. A paz tem a ver com o trabalho, a realização, o amor. E com a liberdade. A Sophia [de Mello Breyner] tem poemas lindos sobre isso. O pai sempre me chamou Fernão Capelo Gaivota, eu voo sozinho, não sei o meu bando.

O que pensa da participação das mulheres na vida portuguesa?
Sou quase precursor na política. Tenho muitas mulheres a trabalhar comigo. De 10 mil funcionários na Câmara Municipal de Lisboa, 3500 são mulheres. Na vereação, são cinco: nas Finanças, na Cultura, na Urbanização, na Juventude, na Acção Social. Isto acontece numa equipa de nove pessoas, contando comigo. Sempre foi assim. Não sou contra as quotas de mulheres na Assembleia da República porque ainda há um desequilíbrio entre deputados homens e mulheres. Elas são grandes quadros. São perspicazes, determinadas, têm uma intuição fabulosa para a política. A maior escola de política é ver as mulheres a lidarem umas com as outras. Elas estudam bem a rival, a adversária, a companheira, isso é uma virtude. A mulher sabe o momento de ganhar.

Para além da política, qual é a sua relação com as mulheres?
Eu não saberia viver sem as mulheres. Hoje te-nho mais amigas do que amigos. Até aos 30 e tal anos, achava que uma amizade forte acabava sempre em algo mais. Entre uma mulher e um homem que gostam um do outro, não é fácil descobrir a barreira entre a amizade e o amor.

Hoje vive sozinho.
Aprendi. Já não sei se seria capaz de mudar, de viver com alguém.

Como pensa o futuro?
A paz preocupa-me. Como vai ser o mundo? Sou um optimista, mas pergunto: como é que os meus filhos vão conseguir realizar-se na vida? No dia-a-dia, preocupa-me o que decidi fazer, o ser capaz de fazer aquilo que disse que ia fazer. Preocupa-me como vou ser capaz de não perder tempo para ajudar a resolver os problemas dos que dependem de mim lá fora e que estão a sofrer. Preocupa-me muito não perder tempo, em tudo na vida.

quarta-feira, julho 07, 2004

Conjunto de artigos com muito interesse no JN - Media vs. Justiça

Penso que vale a pena ler... edição de 7/7/04


Jornal de Notícias, por Carlos Tomás e Tânia Laranjo - Ver restantes artigos aqui


Governo fecha portas da Justiça aos media

Depois de um ano em que a Justiça esteve debaixo de fogo e muitas decisões judiciais e autos que se encontravam em segredo de justiça terem sido publicados nas páginas de jornais, relatados pelas rádios ou mostrados pelas televisões, o Governo, ainda presidido por Durão Barroso, aprovou, em Conselho de Ministros, a alteração ao Código de Processo Penal que prevê mudanças drásticas no artigo que rege a "publicidade do processo e o segredo de justiça". As reacções vindas de vários sectores fazem antever uma discussão nada pacífica.

A bola está agora do lado da Assembleia da República, para onde o projecto de lei já foi enviado. Certo é que a legislação será mudada, independentemente do desenlace da crise política que se travessa. Até porque os socialistas já mostraram vontade de alterar o diploma num sentido não muito distante do que foi expresso pela maioria

O que parecia pouco significativo - só houve a mudança de um "e" para um "ou" (ver caixa) - afinal altera o espírito da lei. No código que ainda vigora, diz-se que só viola o segredo de justiça quem tiver qualquer intervenção no processo e informações sobre o seu conteúdo. Agora, incorre no crime quem preencher um desses requisitos. Ou seja, basta o jornalista publicar uma informação que está coberta pelo segredo de justiça (em rigor está toda, desde que o inquérito arranca) para incorrer no crime de violação de segredo de justiça. A pena prevista é de dois anos de cadeia, remissível em multa. Mas, se o jornalista sofrer várias condenações, arrisca um cumulo jurídico superior a três anos e pode mesmo ir parar à prisão.

"Atentado à democracia", diz Germano Marques da Silva, jurista e autor da última revisão do Código de Processo Penal. "O objectivo do legislador foi calar os jornalistas", continua Carlos Pinto Abreu, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados, enquanto António Marinho, advogado, diz que se "trata de um dos mais violentos e inadmissíveis ataques à democracia"."Temos uma Polícia Judiciária instrumentalizada e está-se a ver o resultado. É ilusório pensar que se os jornalistas não puderem escrever sobre processos judiciais, o Ministério Público funcionará melhor. O que os políticos pretendem é o regresso à lei da rolha e isto não é feito para proteger os pilha-galinhas. É para proteger os poderosos, os que estão sob a atenção permanente dos órgãos de Comunicação Social, como, aliás, deve acontecer", continuou António Marinho, ao JN.

Os mais críticos defendem que a alteração da lei era necessária. Desde a publicação do conteúdo das escutas telefónicas a Ferro Rodrigues, líder do PS, passando pela denúncia do JN de que existia uma carta anónima visando o presidente da República no mesmo processo e até à divulgação dos nomes que constavam no álbum de fotografias mostradas às alegadas vítimas de abusos sexuais na Casa Pia.

Dos mais variados quadrantes políticos, foram também muitos os que criticaram a forma como estava redigido o artigo do segredo de justiça e a frequência com que os jornalistas se ilibavam das acusações.

Também Jorge Sampaio, presidente da República, se associou ao rol de críticas, dizendo que os jornalistas e os seus excessos punham em causa o bom nome das pessoas e das instituições. Durante o inquérito Casa Pia, chegou mesmo a dirigir, por duas vezes, uma mensagem ao país. Mas todos garantiram que não seriam feitas alterações legislativas, por pressão de um caso mediático.

Um "e" que muda tudo

Um "e" é diferente de um "ou". Diz a gramática que o primeiro é um advérbio de ligação e o segundo uma conjunção. A maioria governativa também o sabe e, por isso, a lei que propõe só muda o "e" para o "ou". Parece pouco? Puro engano. O "e" liga duas ideias, o "ou" propõe a alternativa. No caso, o que a lei diz é que comete o crime de violação de segredo de justiça quem tenha acesso ao processo "e" conhecimento dele. Na nova lei, bastaria uma das situações ("ou"). E como a ignorância da lei não beneficia o infractor, de nada valeria dizer que não se sabia.

Se alguém ainda não foi apresentado a esta fonte de conhecimento...

Mais de 400 Mil "Downloads" Feitos em Três Meses na Biblioteca do Conhecimento Online
Jornal PÚBLICO, Sandra Silva Costa - Link para o artigo


Entre Março e Maio deste ano, foram feitos 464.313 "downloads" de artigos na Biblioteca do Conhecimento Online (b-on), uma iniciativa conjunta da Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC) e do Ministério da Ciência e do Ensino Superior. O número foi ontem divulgado por José Fernandes, da UMIC, na segunda edição das jornadas do Gabinete de Apoio às Bibliotecas da Universidade do Porto.

Apresentada publicamente a 19 de Abril passado, a "b-on" tem como objectivo promover o acesso "on-line" às principais fontes de conhecimento internacionais. Nesse sentido, foram firmados vários acordos com instituições académicas e científicas de todo o mundo e está já disponível o acesso a mais de 3500 publicações electrónicas de seis editoras de referência internacional.

De momento, as universidades e as escolas politécnicas são as principais subscritoras dos serviços da "b-on" - cerca de 80 por cento das instituições académicas nacionais já aderiram. José Fernandes anunciou, no entanto, que há já outras entidades interessadas na oferta da Biblioteca do Conhecimento - o Hospital Garcia de Orta, em Almada, a Assembleia da República e o Oceanário de Lisboa são apenas alguns exemplos.

Com um custo estimado de funcionamento de oito milhões de euros por ano, a "b-on" é financiada a 50 por cento pela UMIC e pelo Programa Operacional Sociedade de Informação; os restantes 50 por cento têm que ser assegurados pelas instituições subscritoras.

Qualquer pessoa pode fazer pesquisas na Biblioteca do Conhecimento - basta entrar em www.b-on.pt. A consulta dos artigos, porém, está reservada apenas aos utilizadores registados. Brevemente, a "b-on" vai passar a disponibilizar também perto de 170 recursos gratuitos, informou José Fernandes.