sexta-feira, novembro 21, 2003

Antes que se perca...

LEONOR FIGUEIREDO - DIÁRIO DE NOTÍCIAS

«Sobriedade para mim é não ter bebido uns copos»


A opção do Jornal Nacional ser de hora e meia vai continuar?

Vai continuar. Temos um fluxo de reportagens muito grande. E há uma apetência enorme pela informação. Confesso, queria o jornal mais pequeno. É muito cansativo.

Fisicamente, como chega ao fim?

Com sono. Há uma reacção física (abre a boca com sono). Só de começar a falar nisso...

Há quantos anos faz telejornais?

Comecei em 1988.

É muito diferente fazê-lo hoje?

É muito diferente fazer aqui e na RTP. Lá a informação rege-se por limites muito estritos.

Está a falar da actual RTP?

Da que conheci e da actual. Não consigo ver a informação da actual. Dar as coisas sem qualquer «desvio» que dê mais qualquer coisa à notícia... o embrulho é muito importante.

E a sobriedade no meio disto tudo?

Não me fale em sobriedade. Para mim é não ter bebido uns copos.

Não faz parte do seu vocabulário?

Só como antónimo de ébrio. Ou cinzentismo. Televisão é comunicação. As notícias são histórias do dia-a-dia, mais e menos relevantes, de gente anónima.

Quem vê o Jornal Nacional?

As classes A, B e C. Poucos velhos. Não sei a faixa dos novos. Temos tanto homens como mulheres.

Sobre a tabloidização do telejornal...

Não falamos da vida privada, não exploramos escândalos, nem sexo. Mas embrulhar uma história de forma apelativa é o que eu mais desejo que aconteça na redacção. Ter bons contadores de histórias.

Porque é que há umas duas semanas puseram no ar uma peça desfocada de um sujeito a masturbar-se?

O homem (pedófilo) de Torres Vedras? Sim, acho que se devia ter posto. Com aviso. E nós avisámos. Até metemos bolinha. Eram imagens para adultos que poderiam ser pedagógicas para crianças, devidamente explicadas. A polícia fora alertada, não fizeram absolutamente nada. É bom que certas pessoas sejam chocadas. Talvez comecem a lembrar-se do próximo. A nossa opinião pública vive adormecida.

Mas onde está o limite?

Está na verdade.



SOU A MAIOR DEFENSORA DOS MEUS 'INDIOZINHOS'...

Têm tido muitos processos?

Alguns. Mas temos uma Alta Autoridade muito imbecil.

O que lhes falta?

Gente com bom senso e sensibilidade.

E o que acha da actuação do ministro Morais Sarmento?

(com ironia) Acho que ele é excepcional. Fantástico desde que é tutor, mentor e protector da RTP.

O que lhe diz o projecto de A Dois?

Nada. Nem sei o que é aquilo.

O que poderá dar?

Não sei. E nem os próprios.

A pergunta previsível: como explica a discussão com o Sousa Tavares?

Estava sem auricular, a régie diz-me que estou a ultrapassar o tempo, tinha de acabar... foram nove minutos de discussão, mas o Miguel disse que ia fazer imensa audiência. Ele chateou-se, não gostou da interrupção. Fico a saber.

Como é a chefiar? Bruta? Carinhosa?

Quando percebo que há falta de vontade, até sou capaz de chamar nomes. Mas têm em mim a maior defensora da redacção. Os meus «indiozinhos»...

Além do Mário Crespo, a Manuela é a pivô mais antiga?

Então e o Henrique Garcia? Tem muito mais anos do que eu.

Sente-se pivô «fora de prazo»?

Completamente. Estou velha, cansada, devia estar na reforma. Mas olhe... você não me pode levar a sério! Nem eu me levo a sério. Eu sou uma caricatura de mim própria, exploro as minhas características ao máximo. Ponho bâton quase até às orelhas...

Já a vi a chorar e rir no telejornal...

Envolvo-me nas histórias. Há tempos ri imenso porque, a propósito de um cientista que prolongou a longevidade dos vermes (e depois estava para entrar uma peça sobre batatas e abóboras gigantes) eu disse que gostava de ser verme e o Pedro Pinto, que estava na régie, chama-me verme. Eu tentei conter-me mas não consegui.

Batatas e abóboras. A vossa informação é mais para o «povo que lavas no rio», ou não é?

Coitadinho, é o povo do Pedro Homem de Melo. Genuíno, que a Amália cantava e que precisa de ser distraído. Mas não é essa a nossa informação. Até parece que o DN não tem páginas para divertir as pessoas...


DEU PARA ENTENDER QUEM É QUE ESTÁ A SER ENTREVISTADO... POIS...


..::carlos galveias::..

quinta-feira, novembro 20, 2003

Boa Noite,

Olá!

Passei só para desejar boa noite a todos.
E como espiar o blog sem escrever nada, não é nada...
...aqui estou eu a dar o meu contributo!

B' jinhos!

Noctívidades

Com pequeno almoço de "Gurosan", e olhares trocistas, encaminho-me para o escritório pedindo de passagem para não me passarem quaisquer chamadas.
Estou completamente de rastos, tudo em meu redor está baço e desfocado, sinto a cabeça a latejar ao ritmo da tremedeira das pernas.
Apetecia-me ter ficado de cama, mas quando a mobília não é nossa dificilmente podemos decidir o destino matinal.
Que puta de conversa incongruente.
A língua teima em encortiçar e os olhos doem a cada pancada nas teclas, mas o pior é a roupa usada de véspera e a barba feita com lamina de pernas.
O organismo pede líquidos que rapidamente, e de todas as formas, decide expelir.
O trago de café começa a provocar estragos internos e externos, quando as pálpebras se recusam a obedecer, fechando-se por segundos intermitentes.
Acordo com a explosão, no momento em que o borrão do malfadado cigarro chegou ao meus dedos, provocando dores lancinantes por todo o corpo.
Vou para casa. Está decidido, vou para casa.
Preciso rapidamente de descansar, ainda por cima hoje é noite quinta-feira e há que aproveitar que a vida é limitada.

Lembrete: Pelo menos apontar o nome dela, em qualquer lado

F.Marinho

007

Estou só a espiar! Não me apetece dizer nada! Ainda é muito cedo!

quarta-feira, novembro 19, 2003

HISTORIAS FERROVIARIAS VII
















Hoje vim de carro.

F.Marinho

segunda-feira, novembro 17, 2003

PODER DO JORNALISMO

O Jornal "Publico", na sua edição do passado domingo, publica um artigo sobre o "poder do jornalismo" que aconselho a leitura.
Para já, aqui ficam as "ideias-chave" e os respectivos autores.
(reparem na opinião do director do "24 Horas", talvez a primeira opinião sincera e objectiva sobre esta temática)

Ideias-chave
Domingo, 16 de Novembro de 2003
"O eventual poder do jornalismo está limitado pela própria natureza das publicações: como todos os negócios, o seu objectivo primordial é o lucro e, por isso, tem de se sujeitar a regras que visam, antes de tudo, esse fim."
Pedro Tadeu, director do "24 Horas"
"Os limites que existem parecem-me apropriados. O que me parece desadequado é o seu desrespeito. Por exemplo, denegrir a imagem de alguém sem ter razões fundamentadas para tal."
José Rodrigues dos Santos, director de informação da RTP
"Não acredito na auto-regulação. A única forma de impedir excessos absolutamente intoleráveis é impor penas pesadíssimas aos prevaricadores."
José António Saraiva, director do "Expresso"
"À classe política, ou a parte dela, interessará dizer que os jornalistas têm muito poder. Se falarmos com os jornalistas que têm poder de decisão não penso que sintam que têm algum poder especial."
José Leite Pereira, director de redacção do "Jornal de Notícias"
A selecção do que é ou não notícia "é um dos poderes do jornalismo, e talvez o mais importante"
Francisco Sarsfield Cabral, director de Informação da Rádio Renascença
"A atitude que os jornalistas devem ter é a de ser um contrapeso do funcionamento das instituições. Isto é diferente de ser contrapoder, porque não implica estar sempre contra. Quer dizer estar num dos pratos da balança, acabando-se por funcionar como válvula de segurança para os abusos dos outros poderes."
José Manuel Fernandes, director do PÚBLICO

A verdadeira cabala

As mulheres já eram os seres mais dependentes do telefone.
Ansiosas vagueavam pela casa à espera do estridente Triimm que teimava em não tocar.
Maravilhadas partilhavam conversas intermináveis com a melhor amiga. Quem com elas dividia tão “adorável” objecto, reclamava do uso excessivo que lhe era dado.
E não é que estes seres a que resolveram chamar de Homens ainda vão inventar o telemóvel, o sms, mail e afins só para nos complicarem a vida.
Já não bastava o toque do telefone ser música para os nossos ouvidos ainda temos que ler e enviar mensagens, e ficar a roer as unhas à espera da resposta que não chega.
Esta sim é uma verdadeira Cabala …

Beijocas
Carla Oliveira

PS: Por falar em mulheres, onde andam a deste blog ? Será que estão à espera que o telefone toque ? ( eh!!! eh!!! )

Resposta

Viva,

Antes de mais vou já dizer abertamente que... não concordo com a opinião do Hugo.
Respeito a tua opinião, mas não é o Blog que impede ou inibe as pessoas de manterem ou incrementarem um relacionamento pessoal, nem nunca foi esse o seu objectivo. O Blog é exactamente o contrário, permite que quando não existe a possibilidade de nós (alunos 4º ano CC) falarmos pessoalmente, seja por ser férias, fim de semana, doença, etc, possamos estar à mesma em contacto com os colegas e amigos. Não é por não haver Blog que passas a vêr mais colegas no bar. Aliás como se perde contacto, o mais certo é veres cada vez menos.

Em relação às fotos... concordo em certa parte, mas a banda larga cada vez está mais difundida, por isso... é uma medida arriscada mas na minha opinião correcta. Porque a maior parte acede ao Blog no emprego (banda larga) e as fotos são importantes (documentam convivios) e as revelações fotográficas são caras.


Abraços a todos
Luis Lavrador

sábado, novembro 15, 2003

Opinião

Penso que o nosso blog está a ficar um pouco pesado, pois penso que não se está a pensar nas pessoas que não têm acesso a linhas de banda larga. Já se está a criar algo que penso não ser a ideia inicial do blog. Tantas fotos porquê? Existe assim tanta necessidade para que existam fotos no blog? Porque não promover o contacto pessoal em vez de se colocar fotos e outras coisas no blog? É triste ver no bar alguns gatos pingados, da ex-turma de cc, pois acho que seria mais interessante, ver o pessoal todo junto no bar ou num local a designar, para relembrar os velhos tempos, sim, os velhos tempos de cc, que cada vez mais parecem deixar de existir! Começa a existir uma separação dos colegas, o que para mim é triste!
Se querem mostrar fotos e outras coisas porque não frente a frente, em pleno convívio, algo muito mais saudável do que estar a escrever em frente a esta máquina, que nos rouba uma grande fatia das nossas vidas e que cada vez mais nos torna pessoas isoladas, decadentes!
Penso que vou desistir da ideia de me dedicar a escrever para o blog, pois tenho mais prazer em falar com as pessoas frente a frente, sem necessidades de ter intermediários.
Promovam o convívio, sejam pessoas felizes!!

P.S. - É apenas a minha opinião pessoal!!!

Um abraço a todos os meus colegas e um beijinho para as minhas colegas da turma de cc de outrora.

sexta-feira, novembro 14, 2003

Será... Neo?

Olá,

Todos gostam de uma piadinha ou anedota, trapalhada ou palhaçada, porquê? Os dias passam mais rápido, com mais alegria e entusiasmo.
Sendo assim, caros amigos (e amigas... ) Bloguistas, quero tornar o vosso dia mais animado e proponho um momento de boa disposição e criatividade... contra as amarguras do dia a dia.

Atenção pessoal de Audiovisuais, isto pode ser útil para os vossos projectos. Quem sabe... não dá umas ideias...

à lá Matrix... Aqui

P.S. - Têm de fazer o download. Depois é só abrir por exemplo com o Media Player.


Abraços a todos
Luis Lavrador

Ataque a jornalistas (SIConline)

Repórteres da SIC e TSF sofrem emboscada no Iraque

Os correspondentes da SIC e da TSF no Iraque foram esta manhã alvo de uma emboscada na estrada para Bassorá. A jornalista Maria João Ruela e o repórter de imagem Rui do Ó, ambos da SIC, e Carlos Raleiras, da TSF, foram barrados na estrada que liga a cidade do Kuwait a Bassorá. Maria João Ruela foi ferida numa perna e Carlos Raleiras sequestrado por um homem armado. O repórter Rui do Ó contou como tudo aconteceu.

De acordo com Rui do Ó, os correspondentes da SIC, TVI, RTP, TSF, Público e Rádio Renascença partiram ontem à noite da cidade do Kuwait para a estrada rumo a Bassorá.

Com eles, seguia o contingente português da GNR, em veículos militares. Os jornalistas iam divididos em três jipes distintos, todos alugados na cidade do Kuwait. A equipa da SIC seguia, com o jornalista da TSF, no mesmo jipe.

Ao chegar à fronteira, os militares portugueses avisaram os jornalistas de que deveriam seguir por sua conta e risco.

Como já era de noite, explicou Rui do Ó, os jornalistas decidiram voltar para trás, para a cidade do Kuwait, onde passaram a noite.

Já hoje de manhã, a caravana arrancou rumo à cidade de Bassorá, para depois se dirigir ao campo onde está a GNR.

Ao todo, nos três jipes seguiam nove pessoas.

Cerca de 30 a 40 minutos depois de terem passado a fronteira, um BMW preto atravessou-se à frente do jipe da SIC e TSF, barrando-lhes o caminho. Os jornalistas tentaram fugir, mas um outro veículo - um Chevrolet branco - surgiu, tornando difícil a fuga.

Os outros dois jipes - onde seguiam os restantes jornalistas - conseguiram, nesta altura, seguir caminho.

Do interior do BMW e do Chevrolet saíram dois homens armados com uma pistola e uma Kalashnikov respectivamente, e começaram a disparar contra o jipe onde estavam os repórtes da SIC e TSF.

Neste momento, contou Rui do Ó, Maria João Ruela foi atingida com uma bala na perna.

Carlos Raleiras, que conduzia o jipe, foi retirado do veículo e levado no Chevrolet branco.

Um dos homens armados entrou, depois, no jipe da SIC e TSF, seguindo caminho.

Rui do Ó e Maria João Ruela ficaram na estrada, pelo que pediram auxílio a um automóvel com iraquianos, que os socorreu e os levou para a cidade mais próxima, onde Maria João Ruela recebeu os primeiros socorros.

Os dois jornalistas foram posteriormente enviados para um hospital de campanha dos soldados britânicos, no campo de Chaibra, onde se encontram actualmente.

A jornalista Maria João Ruela aguarda cirurgia, para remoção da bala. Quanto a Carlos Raleiras, permanece desaparecido.

(SIC Online)

Carla Nabais

Histórias Ferróviarias VI

Sentei-me de costas voltadas para o caminho e iniciei a cultivação mental com os cabeçalhos do costume no diário alheio.

Ó rapaz endiabrado. Prometeu um túnel se ganha-se as eleições e aí está ele a condicionar a circulação nas amoreiras.
Se os políticos nos têm vindo a habituar a não cumprirem as promessas porque é que tinha que vir este tipo fazer a excepção à regra?
Bem podia ter ficado quietinho que ninguém levava a mal.

Mudando de assunto, reparo noutra noticia, "Deputados que vão às Antas acusados de não terem vergonha". Isto quer dizer que, antes deste caso, eles tinham-na? As coisas que os jornais nos ensinam.

Descobri ainda que há pessoas que defendem e, mais grave ainda, pretendem legislar o conceito de "vida" antecipando o momento da sua efectivação para o acto da concepção.
Caros jovens deste Pais, cuidado com estas fobias, não recuem tanto, se não, qualquer dia, é bem provável que a masturbação venha a ser considerada genocídio.

Com este arrepio, mudei de banco de forma a ver o futuro com outros olhos.

F.Marinho

Lembrete - Amanhâ, sentar junto a alguém que leia revistas cor-de-rosa.

quinta-feira, novembro 13, 2003

Homenagem a Vinicius de Moraes

Para terminar o dia, nada como um pouco de V. Moraes com C. Buarque...


Valsinha
Vinicius de Moraes / Chico Buarque


Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito sempre falar
E nem deixou-a a só num canto, para seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido docotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praia e comearam a se abraçar

E lai danaram tanta dana que a vizinhana toda despertou
E foi tanta felícidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que todo mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz


Que tal uma visita ao site dele?


..::carlos galveias::..

Guia Prático

::Guia Prático do Blog Intelectual ::

Retirado do Blog Samambaias


Se o seu blog anda meio desanimadinho??? você não aguenta mais escrever sempre os mesmos posts??? e pior... ninguém aguenta mais LER os mesmos posts??? ninguém mais coloca comentários, e quando coloca, é propaganda de provedor??? e sua conta de estatísticas foi fechada por inatividade???

Chegou a solução: As 7 Atitudes de um Blog Intelectual. O guia do blogueiro que não tem nada a dizer.

Com apenas um capítulo por dia de aprendizado, ao final de uma semana você terá um blog repleto de conteúdo e informação!!! Esté é o único guia prático de blogs intelectuais aprovado pelo Paulo Coelho. Imperdível!

1 - Nome Do Blog:

O nome do blog intelectual deve ter pelo menos 17 sentidos diferentes. Algo eternamente belo para apaixonados, incrívelmente sensível para suicidas ou exatamente aquilo que os práticos sempre pensaram. Para cada pessoa uma interpretação. Sempre incompleta, é claro. Caso você não seja capaz dessa proeza linguística, pense uma palavra qualquer e traduza para o alemão. Pronto! Você já tem o nome do seu blog intelectual.

2 - Layout do Blog:

Não use imagens. Não use cores. O fundo deve ser branco com fonte times new roman preta. Use no máximo fontes em negrito nos títulos, ou se você for muito ousado, underline. Quanto mais seu blog ficar parecido com um editorial financeiro do New York Times melhor. Qualquer artifício visual pode desviar o leitor do verdadeiro foco do seu blog.

3 - Perfil do Blogueiro:

Existem várias alternativas para adotar e tornar-se um verdadeiro blogueiro intelectual:

1) Seja depressivo. Veja sempre o lado ruim das coisas. Sempre que possivel, deixe bem claro o quão solitário é... mostre ao mundo quanto toda essa medíocridade a sua volta o deprime. Uma boa dica para o blogueiro intelectual deprimido é passar alguns períodos sem postar nenhuma mensagem... isso gera certa apreensão mórbida no seu público leitor.

2) Seja neurótico. Ser neurótico é chique. Pessoas não neuróticas tendem a ser obesas, lentas e passivas. Já os neuróticos reagem com maior intesidade às adversidades. Mesmo que não sejam exatamente adversidades. Para mostrar-se um blogueiro intelectual neurótico fervoroso, deixe bem claro o quanto as pequenas coisas o irritam. O trânsito... os flanelinhas... os idosos que não pagam ônibus... os atendentes do Mac Donalds...

3) Seja crítico. Sim... critique tudo! Desde o processo de globalização até a peça de teatro infantil da filha da enteada da sua vizinha. Para poder posicionar-se perfeitamente como um blogueiro intelectual crítico de primeira é importante saber que existem dois tipos básicos de intelectuais... os que criam... e os que criticam. Caso você não se encaixe no primeiro caso. Não vacile. Caia de cabeça no segundo.

4) Seja sensível. Não adianta ser um intelectual sem coração. Mostre que você tem sentimentos. Você é um ser humano... você pensa... e justamente por pensar... você chora. Chora pelos corais do Pacífico. Chora pelo o que a sociedade tornou o Fernandinho Beira Mar. Chora pelo amor não correspondido à Lara Flynn Boyle. Chore apenas por coisas irreparáveis, caso contrário sua sensibilidade terá sido em vão.

5) Dicas gerais de postura intelectual:
- Nunca poste mensagens antes da 1:00AM.
- Sempre que possível, poste o maior número de mensagens entre sexta-feira a noite e domingo de manhã.
- De tempos em tempos escreva algo que nem você entenda, por exemplo: "A massa do eu é um todo complexo e coeso". Mostra que você é uma pessoa complexa... cheia de pensamentos multifacetados.
- Fale palavrões. Depois de um longo texto sobre intolerância religiosa, por exemplo, termine com um 'foda-se'. Dá muito mais força aos seus argumentos. Mostra convicção.

4 - Títulos dos Posts:

Jamais... entenda bem... JAMAIS coloque um título de post com menos de 9 palavras, sendo que destas, 3 devem ser quadrissílabas. É imperativo que contenha pelo menos um nome próprio, de preferência composto. Nomes estrangeiros são muito bem recebidos.
Alguns títulos de post bem sucedidos:
"A verdadeira psicodinâmica das cores complementares segundo as variantes trinomiais de Ludwig Van Helsing"
"Uma breve análise do parnasianismo espanhol sob o prisma do pré-modernismo da Tchecoslováquia pós-guerra"

5 - Conteúdo:

O conteúdo é o item mais importante para que seu blog seja comentando nos altos círculos literários. Geralmente, você pode falar o que bem entender, pois o blog é seu e os visitantes são consequência. Porém existem alguns assuntos de interesse geral, que bem explorados, podem prender a atenção de seus leitores por mais de 20 linhas:

Cinema: É um ótimo tema potencial para blogs intelectuais.
O primeiro passo é deixar bem claro aos seus leitores que você assiste a um filme exatamente como um cardiologista assiste a um cateterismo. Isso feito, escolha um repertório de filmes não-americanos jamais vistos fora dos circuitos alternativos de cinema. Quanto mais distante geograficamente for o país de origem do filme em questão, melhor a crítica. Filmes iranianos ou chineses são uma ótima pedida. Faça sempre que possível referências ao DOGMA, exaltando-o como movimento expressivo do cinema mundial.
Se você preferir falar do mundano cinema americano, faça comentários do tipo: "A edição de Titanic é maravilhosa" ou "A direção de arte de Matrix deixa um pouco a desejar".

Notícias: É importante que seu blog tenha dinamismo, e acima de tudo, mostre que você é uma pessoa atualizada nos mais diversos assuntos. Você pode facilmente agregar várias informações valiosas às notícias do dia-a-dia. Por exemplo, ao dar o resultado de um jogo Corinthians 3 x Palmeiras 1, você não precisa falar apenas do desempenho dos centro-avantes, mas pode elaborar uma grandiosa dissertação sobre o futebol como ferramenta de alienação do povo.

Poesia: Definitivamente, um blog intelectual sem poesia não é um blog intelectual. Infelizmente, poesia não é para qualquer um... mesmo intelectuais. Caso você não consiga fazer mais do que versos de 'coração', 'paixão' e 'violão', existe uma solução simples e prática para tornar-se um poeta efetivo. 1) Pegue um dicionário da língua portuguesa. 2) Sorteie uma página aleatóriamente. 3) Feche os olhos e com a ponta do dedo indicador escolha uma palavra qualquer. 4) Anote-a... repita esse processo quantas vezes achar necessário e ao final, coloque-as todas no seu blog separadas por reticências. O resultado ficará parecido com:

familiar... mandato...
propalar... colocíntede...
punibilidade... trituramento...
infieldade... surto...
alcaboz... áspide...
defendente... oreógrafo...

Não se preocupe em encontrar algum significado. Seus leitores com certeza encontrarão.

4) Serviços: para aumentar a audiência do seu blog, você pode prestar alguns servíços ao seu público cativo. Um ótimo exemplo de serviço é um calendário de eventos culturais. Além de passar valiosas dicas de lazer aos seus leitores, você mostra que está a par do cenário cultural de sua região. Exemplo:
"Galera! Hoje a noite vai ter o show solo Terra, Raízes e Sentimento do percussionista Duca Mirandinha. Vai ser demais! Quero ver todo mundo lá, hein?"

6 - Links para blogs amigos:

Depois que notarem a riqueza intelectual do seu blog, centenas de amigos irão pedir que coloque um link para seus sites. NEGUE! Caso contrário você terá uma infinidade de blogs inúteis ligados ao seu, cheios de bobagens como receitas de muquecas de camarão ou resultados parciais do Brasileirão. Considerando que intelectual não necessariamente é mal educado, seja polido e diga aos seus amigos que existe um incompatibilidade editorial (tm Jodie) entre os blogs, impossibilitando assim a troca de links. Caso você queira expandir os horizontes do seu blog, coloque links para sites de outros intelectuais tão ilustres quanto você, por exemplo, Stephen Hawkins, Thomas H. Davenport ou Paul Kogan.

7 - Comentários:

Este é um erro muito comum entre os blogs intelectuais. De nada adianta você fazer um post de trezentas linhas fazendo parelelos entre 11 de setembro e o surrealismo francês e ter sua lista de comentários cheia de pérolas como: "AEEE MANU!!! MANDO BEM!!!! VC RLZ AS TETA !!!!" ou "Oi Má !!! É a Cá !!! Muito fofo esse seu blog, viu??? Te vejo no shopping !!! Bjos MIL !!!!". Somente um comentário desses e sua vida de blogueiro intelectual está seriamente comprometida.

..::carlos galveias::..

quarta-feira, novembro 12, 2003

Passei só p'ra dizer ...

OI !

nem que seja para dizer "OI"...aqui estou eu a dar sinais de vida.

Por entre toneladas de revistas e jornais, já confundo o anúncio do Skip, com o dentífrico não sei mais do quê!?!
...passando, claro, pelas tão celebres curas milagrosas de emagrecimento...ai,ai...já estou por tudo!
(pessoal do mkt sabe do que estou a falar...ah, pois é!)

Bem, como já dei o meu (petit) contributo por hoje, acho que vou recolher...

B'jinhos a TODOS!


Esta msg é tântrica ...

Estou a ficar tonta, de tanto andar às voltas. Eu penso, e penso e volto a pensar e não me ocorre nada sobre o que escrever.
Os 15 minutos do “nosso” Francisco, para mim são eternidades.
Entre um telefonema e outro - tento organizar ideias, procuro construir um texto e ainda tenho a pretensão de querer pensar .
Mas não há dúvida, que as capacidades deste homem vão muito além destas rapidinhas
( leia-se escritas ).
Ele lançou o boato de que o blog deveria “morrer” e logo surgimos nós a tentar reanimar este pobre moribundo que até o “pai” quer deixar órfão ( eh!!eh!! ).
Parecemos a malta do Porto quando a IURD quis comprar o coliseu, só nos faltou os cartazes com slogans reivindicativos e porquê ? Porque, quando podemos gostamos de visitar este “nosso” espaço.
Foi o que fiz … mas isto é uma autêntica aventura! Ele é dar formação ( + uma que me inventaram ), ele é o telefone que toca! Brrr!!! Brrr!!!

Bjocas
Carla Oliveira

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Average Per Visit 2.1
Last Hour 3
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Constituição Europeia e Revisão Constitucional

Artigo publicado originalmente no jornal Público


Não se trata de ser ou não favorável a uma concepção federalista, até porque falta ao projecto o princípio essencial do federalismo - a igualdade entre os Estados

Em vez de a Assembleia da República se preocupar com a perda de peso de Portugal nas instituições europeias, vai preocupar-se com a mudança de nome dos ministros da República ou com os poderes legislativos regionais. Serão os nossos deputados capazes de distinguir o essencial do acessório, o urgente do que pode esperar? Terão sentido de Estado?

Pode haver um referendo europeu, mesmo antes de aprovada, na Conferência Intergovernamental, a "Constituição" europeia ou de ela ser submetida ao Parlamento. E isso é preferível a que o povo seja colocado perante factos consumados

Pode parecer estranho, em face da atenção prestada pela comunicação social a sucessivos casos judiciais e depois das devastações florestais ocorridas nos últimos dois meses. Mas julgo (sem considerar, evidentemente, os problemas estruturais da educação, da produtividade e da evasão fiscal) que o problema de momento mais grave com o nosso País se defronta é o provocado pelo projecto de "Constituição para a Europa" elaborado pela chamada Convenção presidida por Giscard d'Estaing.

Esse projecto, a ser aprovado, diminuirá fortemente o peso de Portugal no seio da União Europeia, colocar-nos-á em posição de manifesta inferioridade perante os "grandes" (Alemanha, França, Reino Unido) e os "menos grandes" (Itália, Espanha) e abrirá um caminho, dificilmente reversível, de perda de capacidade de decisão para defesa de interesses vitais (que não coincidem, como se tem visto, por exemplo, com os da Espanha - vejam-se as pescas ou o afundamento do "Prestige" - ou com os da França - recorde-se a política francesa em África). Pouco mais seremos que a Catalunha (mas sem o esplendor económico que esta possui).

Não se trata de ser ou não favorável a uma concepção federalista. Não se trata disso, porque falta ao projecto o princípio essencial do federalismo - a igualdade entre os Estados. Não se trata de federalismo, quando se multiplicam normas e intervenções uniformizadoras que nos Estados Unidos seriam impensáveis - basta ler os 342 artigos (!) da parte III do texto, dedicado às políticas e ao funcionamento da União.

RAZÕES CONTRA O PROJECTO

Muitas razões militam contra o projecto de Giscard d'Estaing:

1ª) A "Convenção" não foi uma assembleia constituinte eleita democraticamente por sufrágio directo e universal e que deliberasse através de votações por maioria; foi um órgão de composição heterogénea, com origens diversas e em que prevaleceram procedimentos de tipo diplomático - tal como procedimentos desse género vão marcar a Conferência Intergovernamental (Intergovernamental, sublinho) prevista para este ano e em relação à qual o peso dos "grandes" já se faz sentir de forma despudorada;

2ª) A afirmação do primado do Direito da União em face do Direito dos Estados membros (art. I10º), se entendida de modo a abarcar também as Constituições nacionais, põe em causa, primeiro, os princípios da soberania constituinte dos Estados membros. E depois, afronta a legitimidade democrática (por as Constituições serem todas expressão de vontade popular, manifestada em assembleia constituinte ou em referendo, e na feitura do Direito da União prevalecerem (apesar da intervenção do Parlamento Europeu) típicos órgãos de poder executivo - o Conselho de Ministros e a Comissão - ao arrepio ainda do princípio da separação de poderes.

3ª) A Carta de Direitos Fundamentais adquire força vinculativa e, pelo catálogo que contém (muito para lá das atribuições da União), visa invadir (e, porventura, substituir) os domínios próprios das Constituições nacionais.

4ª) Não fica clara a relação entre essa Carta e a Convenção Europeia dos Direitos do Homem e, amanhã, entre o Tribunal de Justiça e o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e os Tribunais Constitucionais dos vários Estados.

5ª) É enorme o leque de atribuições da União, independentemente da distinção feita de diferentes categorias de poderes, e a cláusula da flexibilidade mal se compatibiliza com o princípio da subsidiariedade (art. I17º).

6ª) O sistema institucional é extremamente complexo e pode dar origem a conflitos de competências entre o Conselho Europeu, o seu Presidente, o Conselho de Ministros, a Comissão e o Parlamento Europeu.

7ª) Neste sistema institucional avultam a eliminação, em primeiro lugar, das presidências rotativas do Conselho e da presença na Comissão de Comissários designados por todos os Estados, e, em segundo lugar, a criação dos cargos de Presidente do Conselho e de "ministro" dos Negócios Estrangeiros; e tudo vai conduzir na prática à hegemonia dos Estados "grandes".

8ª) Igualdade entre os Estados só existe na presidência dos Conselhos de Ministros sectoriais, salvo o dos Negócios Estrangeiros e, a prazo, na rotação dos membros da Comissão.

9ª) Ao definir-se o âmbito de aplicação territorial separam-se a República Portuguesa (nº 1 do art. 4º da 4ª parte) e os Açores e a Madeira (nº 2).

Um aspecto complementar lamentável. No preâmbulo do projecto cita-se uma frase de Tucídides: "A nossa Constituição... chama-se 'democracia', porque o poder está nas mãos, não de uma minoria, mas do maior número de cidadãos". Esta frase é contrária aos princípios da democracia representativa moderna, em que o poder pertence ao povo no seu conjunto e tanto à maioria como às minorias (em alternância no exercício das funções de governo).

O ESTATUTO DA LÍNGUA PORTUGUESA

A "Constituição" consagra uma bandeira, um hino, um lema, uma moeda e um dia da União. Nada diz acerca das línguas oficiais e há elementos contraditórios: por um lado, fazem fé os textos do "tratado que estabelece a Constituição" em todas as línguas dos Estados membros (art. IV10º); mas, por outro lado, o Conselho de Ministros adopta, por unanimidade, um regulamento europeu a fixar o regime linguístico das instituições da União (art. III339º).

Estará aí garantido o estatuto da língua portuguesa? Pode recear-se que não, quando se ouvem vozes a defender - a pretexto do custo das traduções, agora muito mais com a entrada de mais dez Estados - que só duas ou três deveriam ser as línguas da União.

Mas isto é algo que Portugal nunca poderá aceitar, nunca. Por uma questão de princípio. E pela importância da língua portuguesa no mundo: não somos 10 milhões, somos mais de 200 milhões presentes por quatro continentes; o português é a 3ª língua europeia mais falada no mundo e a língua oficial de 8 Estados (e, a par do chinês, de Macau); e os Europeus só terão a ganhar com o seu conhecimento.

UMA REVISÃO CONSTITUCIONAL DESCABIDA

Há pouco mais de um ano escrevi neste jornal um artigo intitulado "Acabar com o frenesim constitucional, discutir a Europa". Era um apelo, que, infelizmente (e infelizmente como eu já previa) não foi seguido.

Durante este tempo, escassearam os debates sobre a "Constituição" europeia em preparação, eles passaram à margem do Parlamento e interessaram muito pouco a opinião pública, anestesiada pela televisão e pelo futebol. E, mesmo agora, a poucas semanas da Conferência Intergovernamental, persiste uma grande indefinição sobre as atitudes que sobre o projecto vão tomar o Governo e o principal partido da oposição. Vão aceitar como inevitável o projecto, tal como está, ou vão procurar obter correcções e reajustamentos?

Mas pior, bem pior. Em vez de a Assembleia da República concentrar a sua atenção nessa problemática, vai, ao que parece, debruçar-se sobre projectos de revisão constitucional respeitantes às regiões autónomas. Em vez de se preocupar com a perda de peso de Portugal nas instituições europeias, vai preocupar-se com a mudança de nome dos ministros da República ou com os poderes legislativos regionais - poderes que, de resto, com a multiplicação das "leis europeias", vão tornar-se (tal como os poderes legislativos nacionais) cada vez mais ilusórios.

Serão os nossos deputados capazes de distinguir o essencial do acessório, o urgente do que pode esperar? Terão sentido de Estado?

UMA REVISÃO CONSTITUCIONAL IMPOSSÍVEL

Não se imporá, porém, abrir um procedimento de revisão, se o projecto de "Constituição", com mais ou menos alterações, for aprovado? É prematura uma resposta.

No entanto - e a benefício de uma reflexão mais profunda - inclino-me a responder negativamente:

a) Quanto ao alargamento das atribuições da União, porque a fórmula do art. 7º, nº 6 da nossa Constituição parece suficiente para, dentro do razoável, evitar problemas, ao falar em "convencionar o exercício em comum ou em cooperação de poderes necessários à construção da união europeia".

b) Quanto à Carta de Direitos Fundamentais, doravante com valor vinculativo, porquanto, mesmo que sejam lidos como valendo não apenas contra a União mas também contra os Estados membros, nunca ela poderá envolver uma diminuição do conteúdo preceptivo das normas constitucionais portuguesas (o princípio é aqui de aplicação das normas mais favoráveis) - o que não significa que graves dificuldades não venham a suscitar-se na prática.

c) Quanto à quebra de presença de Portugal em órgãos da União, porque, se isso afecta, sem dúvida, o sentido da soberania internacional do Estado, não se vê como possa ter projecção em nenhuma norma constitucional específica.

d) Quanto ao primado do Direito da União, visto que seria inimaginável que a nossa Constituição - como a de qualquer outro Estado - consignasse a sua subordinação a normas de Direito ordinário e derivado como são as normas emanadas dos órgãos da União Europeia - órgãos esses criados por um tratado, ele mesmo necessariamente só aprovado se não desconforme com a Constituição.

Uma revisão que, ao invés, levasse a consignar tal primado, nem seria sequer uma verdadeira revisão. Seria uma violação dos princípios estruturantes da Constituição, equivaleria a uma mudança qualitativa radical do próprio Estado português (como do italiano ou do sueco).

UM REFERENDO SOBRE O PROJECTO DE CONSTITUIÇÃO?

O artigo 115º da Constituição não permite referendos nem sobre leis, nem sobre tratados. Reporta-se, sim, a matérias ou a questões que devam constar de leis ou de tratados.

E terão de ser somente matérias já objecto de projectos ou propostas de lei ou de tratados já assinados? Não parece. Interpretado o preceito à luz do princípio democrático, nada impede que sejam, simplesmente, matérias ou questões susceptíveis de tratamento legislativo ou convencional, ainda que não estejam em marcha os respectivos processos. Por isso, bem pode fazer-se, por exemplo, um referendo para perguntar ao povo se concorda com a mudança de hora legal ou se concorda com esta ou aquela cláusula a inserir num tratado internacional.

Quer dizer: pode haver um referendo europeu, mesmo antes de aprovada, na Conferência Intergovernamental, a "Constituição" europeia ou de ela ser submetida ao Parlamento. E isso é preferível a que o povo seja colocado perante factos consumados. Neste aspecto, dou razão a Francisco Louçã naquilo que escreveu há dias neste jornal.

O obstáculo reside na fiscalização preventiva obrigatória da constitucionalidade dos referendos. Mas aí tudo estaria ainda no objecto a definir: se estivesse em causa o primado na acepção mais ampla, abrangendo quer Direito constitucional, quer Direito derivado, a inconstitucionalidade seria manifesta e qualquer referendo que se realizasse traduziria uma ruptura; se estivessem em causa outras questões, tudo estaria em saber quais e de que maneira estariam equacionadas.

Por JORGE MIRANDA


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MANIPULAR

de manípulo
v. tr.,
preparar com a mão;
preparar (certos medicamentos) com vários símplices;
engendrar;
forjar;
perverter;
manobrar;
orientar.
do Lat. manipulare
s. m.,
soldado romano que fazia parte de um manípulo.