quarta-feira, dezembro 21, 2005

Bocage - bicentenario

BOCAGE

Magro, de olhos azuis, carão moreno,

Bem servido de pés, meão na altura,

Triste de faxa, o mesmo de figura,

Nariz alto no meio e não pequeno;


Incapaz de assistir num só terreno,

Mais propenso ao furor do que à ternura,

Bebendo em níveas mãos, por taça escura,

De zelos infernais letal veneno:


Devoto incensador de mil deidades

(Digo de moças mil), num só momento,

Inimigo de hipócritas e frades;


Eis Bocage, em quem luz algum talento;

Saíram dele mesmo estas verdades,

Num dia, em que se achou cagando ao vento.

Sem comentários: