quarta-feira, novembro 30, 2005

O passado presente

LÁGRIMAS OCULTAS

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era qu’rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!



O tempo... é aquele que faz esquecer...
ou não permite de todo esquecimento

3 comentários:

Carlos Galveias disse...

Estou a gostar da tua veia poética!

Bom feriado!

Anónimo disse...

Se precisares é só ligar

TMara disse...

bom também não esquecer Florbela Epanca de quem passa daqui a dois dias o aniversário da morte e daqui a 3 a do nascimento. Bom colocar o nome dela no soneto postado. Bj